Discussão
sobre a situação fiscal do Brasil hoje e possíveis alternativas
Desde 2015, o Brasil vem sentindo
o peso da recessão, da crise fiscal e da crise política que assolam o país.
Recessão essa, segundo Bresser, causada pela violenta queda de preços das
commodities exportadas e por uma série de políticas econômicas equivocadas, que
produziram a crise fiscal. Além da rejeição ao governo do Partido dos
Trabalhadores pelas elites brasileiras.
Mas esses problemas são
consequencias de erros internos desde o governo Lula. Bresser diz que um dos
motivos foi “a violenta sobreapreciação cambial, (...) a taxa de cambio caiu de
R$6,50 reais por dólar em dezembro de 2002 para R$2,00 por dólar em dezembro de
2010, último ano de seu governo.”
Já no período do governo Dilma, optou-se
por fazer ajustes na economia, porém só os ajustes, segundo a teoria keynesiana,
citada por Bresser, não tem efeitos a longo prazo. Se pararmos pra pensar,
ajustes e investimento tem efeitos a curto prazo, porém somente elevando o
nível de poupança conseguiremos um crescimento a longo prazo. E para que a
longo prazo o crescimento ocorra, o Estado também precisa de apoio das empresas
e da elite, pois o apoio político, segundo Bresser, se torna essencial para
manter a taxa de cambio competitiva.
Além do que já foi dito, o Brasil
também encontra problemas com aumento de gastos e dívidas, o que dificulta a
poupança e investimento. Segundo Almeida, a economia contraiu 4% no ano de 2015
e este ano deve contrair mais 4%. “Cerca de 100 mil lojas fecharam as portas no
Brasil. O numero de postos de trabalho fechados chegou a 1,5 milhão e o total
de pessoas desempregadas no país já atinge 9 milhões, um recorde.”, tudo isso
agravado pela crise política, fiscal e econômica, o que afeta tanto o pagamento
de dívidas, por diminuir arrecadação, quanto os gastos do governo com seguro desemprego
e FGTS. Sobre a dívida pública, a trajetória da dívida está hoje em 66% do PIB,
e pode chegar a 90% do PIB no ano de 2017, segundo analistas.
Otta e Fernandes citaram que “durante
os últimos 14 anos, o crescimento de despesas fixas do governo ultrapassou a
casa dos 400%”. Assim, salários e aposentadorias cresceram quase 430%, o que
sufocou investimentos empurrou para cima a carga tributária e levou as contas
públicas a um alto grau de desequilíbrio.
Segundo Salomão, o Brasil pode
chegar a situação de insolvência fiscal da maneira como estão os problemas, de
um lado a diminuição da arrecadação devido a crise economica, de outro os
gastos públicos aumentando sem que haja ajustes. Uma insolvência fiscal levaria
o Brasil a precisar fazer escolhas de pagamentos, já que não conseguiria pagar
todas as obrigações, o que afetaria ainda mais os investimentos estrangeiros no
país.
O economista chefe da corretora
Tullett Prebon, Fernando Monteiro, analisou as contas e concluiu que o governo
precisaria de um corte de R$107,6 bilhões para garantir a meta de superávit
este ano. Para isso, seria preciso fazer uma reforma previdenciária, ainda que
a curto prazo. Pois, segundo Khair, “o governo abriu mão de mais de R$40
bilhões em receitas da previdência em 2015, em isenções de impostos para
pequenas empresas, entidades filantrópicas, (...)”, e isso, segundo ele, é um
crime mais grave do que as pedaladas, é proibido pelo artigo 14 da LRF, pois
qualquer renuncia de receita deve ser compensada com aumento equilvalente de
impostos, e não foi o que aconteceu de fato. Deve-se fazer até mesmo ajustes em
bolsas sociais para que o governo consiga um controle maior das contas
públicas, pelo menos a curto prazo, já que as bolsas sociais representam apenas
0,5% do PIB.
A falta de ajustes e perspectivas
de ajustes fiscais foram um dos motivos para que o Brasil fosse rebaixado pelas
agencias de classificação de risco e perdesse grau de investimento.
Porém, segundo Khair, também há o
fator da taxa de juros. “O déficit primário foi responsável por apenas 18,1% do
déficit total enquanto o déficit com juros representou 81,9%”. Gaspar diz sobre
isso, que “não haveria problema no fato de o Brasil ter uma dívida tão alta se
não fossem os juros.”, pois este ano o governo deve pagar R$400 bilhões de
reais em juros.
E para complicar o rombo fiscal,
o governo Dilma permitiu que os Estados estendessem por mais 20 anos o
pagamento da dívida estadual,o que viola a lei de responsabilidade fiscal
(artigo 35) que proíbe o refinanciamento de dívidas. Com isso o rombo na contas
públicas será de R$36 bilhões. Segundo Landim, os Estados por si mesmos também
estão com problemas financeiros, entre eles Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e
Minas Gerais, que acabaram atrasando o pagamento dos décimos terceiros salários
dos funcionários públicos no final de 2015. Os governadores culpam a recessão,
mas Landim explica que o problema começou quando o governo Dilma autorizou o
aumento do limite de endividamento estadual, com o pretexto de que seriam para
investimentos, trazendo assim grandes conquistas para o Brasil. Essa medida foi
contra uma regra acordada desde o governo FHC, que impedia que os governadores
tomassem dinheiro emprestado e e contratassem novas despesas acima do alinhado.
E essa medida equivocada trouxe
consequêcias desastrosas. Landim afirma que “a maioria dos Estados não utilizou
os novos recursos para investir em infraestrutura, mas deslocou o dinheiro para
bancar e até elevar sua já onerosa folha de pagamentos.” Assim, os governadores
vem tentando amenizar tal problema aumentando impostos, que vão reduzir ainda
mais a renda da população, e os investimentos das empresas, agravando a
recessão e gerando inflação.
Enfim, para que haja uma melhora
na economia brasileira como um todo, o país precisa de poupança, para
crescimento a longo prazo, além de investimento. É necessário reformas na
previdência social, controle de juros, mudanças em regras concedidas
equivocadamente e diminuição temporária do crescimento do salário mínimo, que
afeta demasiadamente o fator previdenciário. Já que o sistema de governo
brasileiro é centralizado, o governo central deve fazer a maior parte do
controle de gastos e assim, influenciar os governos estaduais e municipais.
Referências Bibliográficas
GASPAR, M. Precisamos falar sobre moratória.
Fevereiro, 2016.
BRESSER-PEREIRA,
L. C. Ajuste para poder governar. 2015
KHAIR, A. Juros e previdência. “O Estado de São
Paulo”. Fevereiro, 2016
SALOMÃO, A.
Investidor teme descontrole da política
pública. “O Estado de São Paulo”. Fevereiro, 2016
OTTA, L.
U.; Fernandes, A. Gasto obrigatório chega
perto de R$1 trilhão. “O Estado de São Paulo”. Fevereiro, 2016
LANDIM, R. As razões da quebradeira dos Estados.
Janeiro, 2016
ALMEIDA, M.
Após três décadas, risco de calote volta
a assombrar economia brasileira. “O Estado de São Paulo”. Fevereiro, 2016
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